29 agosto 2015

Leve-me

      Um pequeno Capitulo de uma história inexistente. 

   Morgana se reuniu a mesa e jantou com seus pais. Lá fora Erika -  sua gatinha- brincava rolando no gramado. E sua família estava completa. Sem celulares a mesa, sem discussões, seus pais finalmente fizeram as pazes, e por um momento ela desejou que aquele dia nunca tivesse acabado, que cada segundo pesasse como horas e pudesse desfrutar esse momento perto daqueles que amava. Só imaginou ter Gabriel a seu lado, seu melhor amigo, queria estar perto dele a todo momento, e que ele a dissesse o que estaria pensando agora, e pudesse compartilhar cada pensamento de amor com ela, não como de homem para mulher, mas de humano para humano, e eles seriam como dois personagens, os únicos capazes de poder mudar algo no mundo que os cerca, a dizer como tudo aquilo tava errado. O mundo é um tabuleiro com peças de xadrez, e as pessoas estão jogando como se fosse damas. Estão fazendo errado. Amando errado. Não chegarão a nenhum lugar, e não saberão o porquê. E quando souberem, vão tentar voltar ao começo do jogo, mas na vida não existe Ctrl Z.
   A felicidade da garota era tanta que poderia viver com aquela saudade. E viveria. Mas não tão intensamente quanto o que imaginava pra si mesma. Quanto quando ela sonhava todas as noites olhando para o escuro vazio do seu quarto, pedindo respostas a qualquer bicho-papão que estivesse ali, como se no fundo esse mesmo bicho pudesse ter luz dentro de si, e ela acreditava nisso, viva disso. Nada é tão ruim e tão bom por completo. Só precisa de uma força maior que o faça despertar essa luz dentro de tanta escuridão. Para poder alcançar a medida certa. 
   Mas era tão ruim assim sonhar com algo um tanto impossível? Talvez ela não viveria o bastante pra ver o mundo mudar. E se esse mundo que ela sonha nunca tiver existido? E provavelmente nunca existir? Do que seriam feitos seus sonhos e expectativas agora?
    Visualizou seu quarto por uma ultima vez antes de apagar as luzes. E voltar aquele pequeno mundo dentro de sua mente. Não saberia dizer se era melhor do que a realidade que ela presenciava enquanto lúcida.


Foi quando algo a despertou do seu transe particular. Morgana viu uma sombra tentando abrir sua janela. Uma sombra que parecia um garoto estiloso. Quem diria que Gabriel poderia ser estiloso até para invadir casas alheias, as coisas geralmente não aconteciam desse jeito. Ouviu apenas a sombra dizer-lhes "Vamos. Quero te mostrar uma coisa". Morgana nunca fizera coisas mal pensadas e improvisadas ao mesmo tempo, nem para apresentar trabalhos na escola, sempre tinha algumas horas para pensar e repensar antes de realizar qualquer ação. Mas naquele momento a unica coisa que queria fazer depois de trocar o pijama que estava vestida, era segui-lo. Até onde ele a quisesse levar. 



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